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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Caos no Tribunal de Marco de Canaveses

"O bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, apelou hoje ao Ministério da Justiça para que rapidamente ponha termo à situação caótica em que se encontra o Tribunal do Marco de Canaveses.
«Há 12 mil processos pendentes no Marco de Canaveses, repartidos por duas secções, que estão praticamente parados porque não há funcionários para os trabalhar como deve ser», revelou Marinho Pinto.
O bastonário falava no Marco de Canaveses numa conferência de imprensa que a Ordem dos Advogados convocou para denunciar o que considera ser uma situação que «põe em causa o direito que os cidadãos têm à justiça»."



sexta-feira, 22 de outubro de 2010

"Cortes devem começar nos gastos supérfluos e não no aumento das custas - Bastonário dos advogados"

"É necessário cortar no esbanjamento e nos custos supérfluos do Ministério da Justiça que ninguém conhece e não no apoio judiciário que representa apenas três por cento do orçamento do sector", afirmou Marinho Pinto à saída de uma reunião do Conselho Consultivo da Justiça, em Lisboa.

Em tom crítico, António Marinho Pinto disse ser necessário "cortar alguns privilégios", dando como exemplo as ajudas de custo pagas aos juízes conselheiros, iguais aos membros do Governo, atribuídas por cada dia que vão ao local de trabalho."


(Em RTP)

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Esclarecimento do Bastonário - Sistema de Acesso ao Direito


Caros Colegas

Após vários contactos e reuniões com o governo, posso informar que durante esta semana, estará concluído o pagamento de todos os honorários devidos aos Colegas que prestam apoio judiciário, e que se tenham vencido este ano até ao final de Agosto.
Tais pagamentos totalizam mais de 17 milhões de euros, o que eleva para 33 milhões de euros o montante global pago durante o ano de 2010 aos Advogados que colaboram no sistema de acesso ao direito.
Por outro lado, só no ano de 2009 o estado pagou aos Advogados que prestam esse serviço uma quantia superior a 51 milhões de euros, a qual estava toda liquidada em Fevereiro de 2010.
O Bastonário e o Conselho Geral continuam firmemente empenhados em defender este modelo de apoio judiciário criado em 2008 porque ele é o que melhor responde aos interesses dos cidadãos sem recursos económicos para aceder à justiça.
No momento actual, defendemos intransigentemente este modelo porque ele é também o mais democrático e o mais transparente nas nomeações de Advogados, pois impede favoritismos. Agora, todos são tratados por igual e as nomeações já não são feitas por magistrados, por funcionários judiciais ou por polícias, mas sim exclusivamente pela OA e de forma a não privilegiar ninguém, ao contrário do que acontecia anteriormente. Além disso, o apoio judiciário só pode ser prestado por Advogados e não por quaisquer outras pessoas.
Agora, o apoio judiciário é utilizado exclusivamente no interesse dos cidadãos mais desfavorecidos e não de forma espúria para outros fins que não aquele que determinou a sua criação. Com efeito, este sistema de acesso ao direito não foi criado para a Ordem o usar como laboratório de formação profissional, nem para ajudar os formandos a pagarem as elevadas «propinas» que a Ordem lhes cobrava, mas sim para permitir que os cidadãos sem recursos económicos possam aceder com o mínimo de dignidade ao direito e aos tribunais.
Enquanto eu for Bastonário este modelo de acesso ao direito estará aberto a todos os Advogados que se queiram inscrever e não será só para alguns escolhidos como ainda acontece com a formação, por exemplo.
O Bastonário e o Conselho Geral têm acompanhado todas as vicissitudes do sistema, tendo já sido criadas comissões conjuntas (da OA e do Ministério da Justiça) que estão a monitorizar o seu funcionamento. Além disso, temos vindo a efectuar alguns aperfeiçoamentos entre os quais se destaca o facto de a partir deste mês as despesas efectuadas com os processos passarem a ser homologadas pela OA e já não pelos juízes como acontecia até agora.
Por fim, posso adiantar que já foi criada uma comissão conjunta entre o governo e a OA com vista a estudar as condições para que os pagamentos dos honorários passem a ser feitos pela própria Ordem.
Enfim, não estamos parados e não permitiremos o regresso ao passado. Não mais permitiremos tabelas de honorários de 6 euros por mês como acontecia quando tomámos posse em Janeiro de 2008. Queremos honorários dignos para todos os Advogados que prestam apoio judiciário e que sejam pagos sem atrasos. E vamos consegui-lo.
Por isso, peço a todos os Colegas que estão inscritos no sistema para não tomarem iniciativas individuais ou de grupo sem previamente se concertarem com a Ordem. Numa altura em que aparecem vozes ao mais alto nível a pedir a substituição do sistema de acesso ao direito por um sistema de defensores públicos, deve salientar-se que as questões relativas ao apoio judiciário não podem ser tratadas publicamente nem a duas vozes. Além disso não é curial que, sobre esta matéria, o Bastonário venha a saber por terceiros das iniciativas tomadas por aqueles que institucionalmente representa.

A. Marinho e Pinto
(Bastonário)
 
Lisboa, 14 de Setembro de 2010